18.3.16

estación del paisaje

"Levante:
linhas verdes nervas
ervas favas vibras
fibras bradas guias
quietas grades duras

queda:
sol descansado"

**

"Levante:
líneas verdes nervas
ervas hierbas hebras
fibras gritas guías
quietas gradas duras

caída:
sol despacio"

de: Estaciób, Estaciones, 1975.
en: Manto, p.23

17.3.16

vieja

"De polpa: Deus
as palavras a
                      árvore
era madeira polpa de
galho
madre
           árvores
polpa
de toda parte (arte) árvore é
árvore de árvore
(é parto)
              bosque"

**

"De pulpa: Dios
las palabras la
                       árbol
era madera pulpa de
rama
madre
           árboles
pulpa
de toda parte (arte) árbol es
árbol de árbol
(es parto)
                bosque"

de: Estación, Estaciones, 1975.
en: Manto, p.17.

16.3.16

toques

"Estação

Dias são dados por Deus
(jogo por Deus)
homem por
fome
          Um poema:
ainda por Deus
                         Dedos
são toques
tateios escritos
espreito:
              Lançados"

**

"Estación

Días son dados por Dios
(juego por Dios)
hombre por
hambre
              Un poema:
todavía por Dios
                           Dedos
son toques
tanteos escritos
sondeo:
                Lanzados"

de: Estación, Estaciones, 1975.
en: Manto, p. 17.

15.3.16

diseminación

"Universo feminino
                                 árvore disseminada
arte do talo
                   talvez"

**

"Universo femenino
                                 árbol diseminado
arte del tallo
                     tal vez"

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p.41.

14.3.16

silencio

"O silêncio é a joia
que o silencio não ouve

o silêncio desce
das árvores:
começa a cavar"

**

"El silencio es la joya
que el silencio no oye

el silencio desciende
de los árboles:
comienza a cavar"

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p. 40.

13.3.16

Vidrio

"Vidro: vidro de ver
servido à luz
da lâmpada
tudo é par
                  o ar esparce
parco e parca
parentada luminosa:
oceano
            o céu

escrever alia cacos."

**

"Vidrio: vidrio de ver
servido a la luz
de la lámpara:
todo es par
                   el aire esparce
parco y parca
parentela luminosa:
océano
              o cielo

escribir junta cristales."

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p. 54

12.3.16

cosas claras

"A luz:
casa
      com as coisas
                   claras."

**

"La luz:
casa
       con las cosas
                   claras."

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p. 42.

11.3.16

selva

"A palavra selva
a palavra mata
a palavra salva

a paisagem

e cai a tarde: selva."

**

"La palabra selva
la palabra mata
la palabra salva

el paisaje

y cae la tarde: selva"

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p. 47.

10.3.16

sol

"O sério é ser, ninho
quente de asas, o sério é ser.
Quando o sério era feliz, luz
não sendo ou sendo pássaro, que não é
o mesmo canto, ou um caindo que não encontra
solo, o sol abismo, sol ao se pôr. Sol
que se põe detrás da casa. Não havia ser."

**

"Lo serio es ser, nido
caliente de alas, lo serio es ser.
Cuando lo serio era feliz, luz
no siendo o siendo pájaro, que no es
el mismo canto, o un cayendo que no encuentra
suelo, el sol abismo, sol al descender. Sol
que desciende detrás de la casa. No había ser."

de: Errar, 1991.
en: Manto, p. 71.

9.3.16

pájaro

"Alegria, impulso de abraçar
a alegria nesse pássaro. Pássaro?
Qual pássaro? Não importa:
impulso de abraçar a alegria em suas duas asas.
E dar as graças ao pássaro ausente, aura
aérea era a garça."

**

"Alegría, ganas de abrazar
la alegría en ese pájaro. Pájaro?
Cuál pájaro? No importa:
ganas de abrazar la alegría en sus dos alas.
Y dar las gracias al pájaro ausente, aura
aérea era la garza."

de: Errar, 1991.
en: Manto, p. 74.

8.3.16

desperdicio

"Algo se perde, o bosque arde. O que se une
ponto a ponto se esparrama distante da árvore,
cai com o sal, não o da terra, mas do saleiro
sobre a mesa. E essa flor que em si florescia, se escutava
crescer, desde lá fora se sentia, é comida de Yemanjá.
Nas águas."

**

"Algo se pierde, el bosque arde. Lo que se junta
punto por punto se desparrama lejos del árbol,
cae con la sal, no la de tierra, la del salero
sobre la mesa. Y esa flor que en si florecía, se escuchaba
crecer, desde afuera se sentía, se la come Yemanyá.
En el agua."

de: La vida mantis, 1993.
en: Manto, p.96.

7.3.16

alegrial

"O meu é a alegria, conheço
o ágrio de cor, limão que não é assim.
Algo assim quer me dizer Nazca, mesmo que pareça
o contrário. O certo sempre lhe parece.
Em duas palavras, proponho um mundo junto para viver:
Alegrial."

**

"Lo mío es la alegría, conozco
lo agrio de memoria, limón que no es así.
Algo así quiere decirme Nazca, aunque parezca
lo contrario. Lo cierto siempre se le parece.
En dos palabras, propongo un mundo junto para vivir:
Alegrial."

de: Algo bello que nosotros conversamos, 1995.
en: Manto, p.135.

6.3.16

verdad

"Que seja pássaro desde que seja verdade.
Faisão ou terror noturno, mas verdadeiro.
Não mais imagens por imagens, por piedade,
pelo amor aos pés descalços. Me dê
dinheiro desde que verdadeiro. Uma árvore em Alexandria
para ir com Andrés. Somos espíritos viajantes.
Vinho, veneno, veias, venábulos. Até vocábulos
de sua boca vermelha, maçãs da árvore do Paraíso,
até a próxima se assim deseja.
Até o seguinte pecado que nos guiará ao vício
que nos salva do vazio, toda criação é suja. Vou.
Um copo de água pura desde que seja de verdade."

**

"Que sea pájaro pero que sea verdad.
Faisán o terror nocturno pero verdadero.
No más imágenes por imágenes, por piedad,
por amor a los pies descalzos. Dame
dinero pero verdadero. Un árbol en Alejandría
para ir con Andrés. Somos espíritus viajeros.
Vino, veneno, venas, venablos. Hasta vocablos
de tu boca roja, manzanas del árbol del Paraíso,
hasta la próxima si lo deseas.
Hasta el siguiente pecado que nos guiará hacia el vicio
que nos salva del vacío, toda creación es sucia. Voy.
Un vaso de agua pura pero de verdad."

de: La vida mantis, 1993.
en: Manto, p.90

5.3.16

eso

"Se você não chegar a ser o que é
o que havia dentro para renascer não morre"

**

"Si no llegas a ser lo que eres
lo que en ti había para renacer no muere."

de: Dedicado a lo que queda, 1997.
en: Manto, p. 244.

4.3.16

todo mes

"Ser é igual a ter,
sustenta em seus seios.
Trabalhar como um cavalo, pensar
como um cavalo continuamente, cavalgar
como um correio ao azar, alazão deveria,
para ser uma vez por mês? Mensalidade do ser,
lua goteada de mulher uma vez por mês, período
que cai ao rio por atração pelas águas. Plural:
por que se diz as águas quando as águas são uma?
Se diz assim a partir de sua separação?
Quinzena última, instante depois de instante, queda
e logo levante, todos com o garfo na mão."

**

"Ser es igual a tener,
sonstenlo en tus senos.
Trabajar como un caballo, pensar
como un caballo acto seguido, cabalgar
como un correo al azar, alazán debería,
para ser una vez al mes? Mensualidad del ser,
luna goteada de mujer una vez al mes, periodo
que cae al río por atracción de las aguas. Plural:
por qué se dice las aguas cuando las aguas son una?
Se dice así a partir de su separación?
Quincena última, instante tras instante, caída
y luego levante, todos con la mano en el tenedor."

de: El nombre es otro, 1997.
en: Manto, p. 236.

3.3.16

vaca

"Nem natural nem mãe terra nem um quarto
minguante: eu me meto em seu couro, vaca,
aberta em Suez porque lhes deu vontade,
bordoada, fome, tudo é nada, tanto faz.
Sem bezerro que se meta por sua luz quente
vazia de ânimo, mentes, lâmpadas, quieta, cava
pouco, canta como flamenco até perder a forma
arbitrária por tanta ordem, nada, não quero saber,
dentro de seu couro me curo."

**

"Ni natural ni madre tierra ni cuarto
menguante: yo me meto en tu cuero, vaca,
abierta en Suez porque les dio la gana,
andanada, hambre, todo es nada, da igual.
No ternero que se mete por tu luz caliente
vacía de aliento, mentes, lámparas, queda, cava
poco, canta como flamenco hasta perder su forma
arbitraria por tanto orden, nada, no quiero saber,
dentro de tu cuero me curo."

de: El nombre es otro, 1997.
en: Manto, p.233-234.

2.3.16

luz

"Captei o olhar de dois apaixonados,
não caía, se sustentava a luz, assim:
'Estados Unidos de joelhos na terra
buscará raízes para comer, quando não houver
velocidade'. Suspensa, como seus seios."

**

"Capté la mirada de dos enamorados,
no caía, se sostenía la luz, así:
'Estados Unidos de rodillas en la tierra
buscará raíces para comer, cuando no haya
velocidad'. Sostenida, como tus senos."

de: El nombre es otro, 1997.
en: Manto, p.229.

1.3.16

lenguaje

"Joga fora a linguagem
agora que o homem já não está.
Deixa de falar para ver quem você é,
se joga daqui, agora que ninguém é,
ou seja, fenda na janela para que ninguém
te veja. A linguagem:
joga fora. Ali atrás dos montes,
deixa a mirra, está bem.
Mas aqui? Penso, deixa
o incenso, que é excesso.
A linguagem vai a linguagem volta.
O destino? A origem? O cabelo solto. "

**

"Quítate el lenguaje
ahora que el hombre no está.
Deja de hablar para ver quién eres,
quítate aquí, ahora que nadie es,
o sea, estría en la vidriera para que nadie
te vea. El lenguaje:
quítatelo. Allá en los morros,
déjate la mirra, está bien.
Pero aquí? Pienso, déjate
el incienso, que es demasiado.
A lenguaje dado lenguaje devuelto.
El destino? El origen? El pelo suelto."

de: La vida mantis, 1993.
en: Manto, p.91.

29.2.16

finalidad

"Para que o pássaro seja
rocha
e para que o pássaro não seja
rocha
a palavra pétrea:
                               esfinge"

**

"Para que el pájaro sea
roca
y para que el pájaro no sea
roca
la palabra pétrea:
                               esfinge"

de: Nervadura, 1985.
en: Manto, p. 48.

28.2.16

actuar

"Em outro lugar, perto do umbigo,
falei das palavras enterradas vivas,
vivazes, palavras lava. Subjacentes a Homero,
era kairós a subjacente a Homero? A Donne.
Mantê-lo vivo, como um médico,
o maior tempo possível: no verão o corpo cura
a própria doença de inverno. Mas não só o inverno
atua só: o ar atua, a terra atua, o fogo.
A água é estática. Ver cair o pó sobre a água estática
é prova da palavra viva. Quando digo viva digo em seu sentido
viva. Enterrada quer dizer debaixo de nós, como se
juntos fôssemos uma águia ao menos uma vez, uma águia capaz
de um só olho lógico: o que vê sem pestanejar ao beija-flor."

**

"En otro lugar, cerca del ombligo,
hablé de las palabras enterradas vivas,
vivaces, palabras lava. Subyacientes a Homero,
era kairós la subyaciente a Homero? A Donne.
Mantenerlo vivo, como un médico,
el mayor tiempo posible: en el verano el cuerpo sana
su propia enfermedad de invierno. Pero no sólo el invierno
actúa por su cuenta: el aire actúa, la tierra actúa, el fuego.
El agua es estática. Ver caer polvo sobre el agua estática
es prueba de la palabra viva. Cuando digo viva digo en su sentido
viva. Enterrada quiere decir debajo de nosotros, como si
juntos fuéramos un águila por una vez, un águila capaz
de un solo ojo lógico: el que ve sin pestañear al colibrí."

de: Alegrial, 1997.
en: Manto, p. 201-202.